Aprender 学 · 08

Erros comuns de quem aprende

Os tropeços recorrentes de quem aprende português — ser e estar, por e para, género, concordância, pretéritos e conjuntivo — e como corrigi-los com segurança.

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Há erros que quase todos os estudantes de português cometem, qualquer que seja a sua língua materna. Não são sinal de falta de talento: resultam de o português distinguir coisas que outras línguas confundem, e de confundir coisas que outras línguas distinguem. Conhecer esses pontos de atrito de antemão é a forma mais rápida de os ultrapassar. Reunimos aqui os mais frequentes e, para cada um, a correção e a lógica que a sustenta.

Ser ou estar

O erro mais universal é tratar ser e estar como um único verbo “to be”. A distinção é, em regra, entre o permanente ou definidor (ser) e o temporário ou circunstancial (estar).

*Sou português.* · *Estou cansado.*

«Sou» define identidade (permanente); «estou» descreve um estado passageiro.

A mesma palavra muda de sentido conforme o verbo: ser bonito é uma qualidade inerente; estar bonito é estar bem hoje, naquele momento. O passo seguinte é acrescentar ficar, que indica mudança de estado (ficar doente = adoecer) ou localização permanente (Lisboa fica em Portugal).

Por e para

Ambas se traduzem muitas vezes por “for”, mas repartem o trabalho. Simplificando: para aponta para o destino, o objetivo ou o prazo; por indica a causa, o meio, a troca ou a passagem por um lugar.

*Este presente é para ti.* · *Obrigado por tudo.* · *Passámos por Coimbra.*

Destino (para); causa/motivo (por); trajeto (por).

O género das palavras

Como o género não é previsível pelo significado, o aprendiz tem de o memorizar com o artigo: não mapa, mas o mapa. Várias palavras terminadas em -a são masculinas (o problema, o dia, o mapa, o programa), e algumas em -o ou consoante são femininas (a tribo, a flor, a paz). Erram-se sobretudo as de origem grega em -ema e -ama, que são masculinas.

A concordância de número e género

Em português, o adjetivo, o artigo e o determinante concordam com o nome. Esquecer essa concordância é um erro persistente, sobretudo com muito e todo, que variam quando funcionam como determinantes.

*As casas são muito antigas.* (advérbio, invariável) · *Há muitas casas.* (determinante, varia)

«Muito» não varia antes de adjetivo, mas concorda quando quantifica um nome.

Pretérito perfeito ou imperfeito

As línguas que têm um só passado simples tropeçam aqui. O pretérito perfeito (fiz) relata um facto concluído e pontual; o imperfeito (fazia) descreve o contínuo, o habitual ou o cenário de fundo.

*Ontem fui ao cinema.* · *Quando era criança, ia ao cinema todos os domingos.*

Ação única e concluída (fui) vs. hábito no passado (ia).

Evitar o conjuntivo

Muitos estudantes contornam o modo conjuntivo, mas ele é obrigatório após expressões de desejo, dúvida, emoção e em certas conjunções. Dizer espero que tu vais em vez de espero que tu vás é um dos desvios mais audíveis para um ouvido nativo.

*Quero que venhas.* · *Talvez chova amanhã.* · *Quando chegares, telefona.*

Conjuntivo presente e futuro após verbos de vontade, advérbios de dúvida e «quando» com sentido futuro.

Pequenos automatismos que falham

Erro frequenteForma corretaPorquê
de o, em odo, noPreposição + artigo contraem-se obrigatoriamente
eu sei eleeu conheço-osaber = factos; conhecer = pessoas/lugares
tenho 20 anos? Sim, soutenho 20 anosA idade exprime-se com ter, não com ser
gosto Lisboagosto de Lisboagostar rege a preposição de
é fácil / é difícil sem infinitivo flexionadoé fácil dizermosO infinitivo pessoal concorda com o sujeito

A colocação do pronome

Em português europeu, o pronome átono segue normalmente o verbo, ligado por hífen (ênclise: chamo-me Ana). Mas palavras “atratoras” — negações, advérbios, conjunções, interrogativos — puxam-no para antes do verbo (próclise: não me chamo Ana). Colocar o pronome antes do verbo sem motivo é uma marca de interferência de outras línguas.

Como corrigir, na prática

Nenhum destes erros desaparece pela explicação isolada; desaparece pela exposição e pela repetição corrigida. Três hábitos ajudam mais do que qualquer regra: aprender cada nome com o seu artigo, ler em voz alta para interiorizar a concordância e a colocação pronominal, e arriscar o conjuntivo em vez de o evitar. O erro assumido e corrigido é o caminho normal para a fluência — e, em português, esses caminhos são poucos e bem assinalados.

Fontes

  1. Olga Mata Coimbra & Isabel Coimbra. Gramática Ativa . Lidel (2011)
  2. Celso Cunha & Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo . Edições João Sá da Costa (1984)
  3. Helena Lemos. Português Atual . Lidel (2012)