Aprender 学 · 07
Gramática essencial
Um cartão de bolso com o mínimo viável de gramática portuguesa: género e artigos, plurais, concordância, pronomes, ser vs. estar e os tempos verbais que permitem começar a falar.
ptEsta é a gramática mínima de que precisa para começar a construir frases corretas em português europeu. Não substitui um estudo aprofundado de cada matéria — para isso existem os artigos da secção de Gramática —, mas reúne, num só lugar, as regras de maior rendimento: aquelas que, dominadas, resolvem a maior parte das frases do dia a dia.
Tudo tem género
Todos os substantivos são masculinos ou femininos, mesmo quando designam coisas. O artigo concorda obrigatoriamente com o género e o número do substantivo, e adjetivos e pronomes seguem-no.
| masculino | feminino | |
|---|---|---|
| definido (o/a) | o livro | a mesa |
| definido plural | os livros | as mesas |
| indefinido (um/uma) | um carro | uma casa |
Como regra prática, as palavras em -o tendem a ser masculinas (o carro) e as em -a femininas (a porta), mas há exceções a memorizar (o problema, o dia, a tribo). O género não é dedutível do significado: a mesa é feminina, o copo é masculino, sem mais razão do que a história da língua.
Plurais
A regra de base é simples: acrescenta-se -s às palavras terminadas em vogal. As terminações em consoante têm padrões próprios:
- -ão → -ões (o mais comum): o avião → os aviões; mas também -ãos (o irmão → os irmãos) e -ães (o pão → os pães);
- -l → -is: o hotel → os hotéis, o jornal → os jornais;
- -m → -ns: o homem → os homens, o jardim → os jardins;
- -s (palavras graves ou esdrúxulas) fica invariável: o lápis → os lápis.
Concordância: o adjetivo segue o nome
O adjetivo concorda em género e número com o substantivo e, em português, vem normalmente depois dele.
um carro vermelho · uma casa vermelha · uns carros vermelhos · umas casas vermelhas
O adjetivo muda de forma para acompanhar o género e o número do nome.
Os pronomes pessoais
| sujeito | complemento direto | complemento indireto | |
|---|---|---|---|
| eu | eu | me | me |
| tu | tu | te | te |
| ele/ela | ele/ela | o/a | lhe |
| nós | nós | nos | nos |
| eles/elas | eles/elas | os/as | lhes |
Em português europeu, o pronome átono encosta-se normalmente depois do verbo, ligado por hífen: Vejo-te amanhã (“vejo-te amanhã”). Mas palavras como não, que ou quando atraem o pronome para antes do verbo: Não te vejo.
Ser ou estar: dois verbos para “to be”
A distinção é central e não tem equivalente direto em inglês. Use ser para o permanente — identidade, origem, características essenciais — e estar para o transitório — estados, localização momentânea, condições passageiras.
Ela é portuguesa. / Ela está cansada.
«Ser» para o que define (a nacionalidade); «estar» para o que muda (o cansaço).
A sopa é boa. / A sopa está boa.
«A sopa é boa» = é uma boa sopa em geral; «está boa» = esta sopa, agora, sabe bem.
O presente do indicativo
Os verbos dividem-se em três conjugações, pela terminação do infinitivo: -ar (falar), -er (comer) e -ir (partir). No presente, retira-se a terminação e juntam-se estas desinências:
| eu | falo |
|---|---|
| tu | falas |
| ele/ela | fala |
| nós | falamos |
| vós | falais |
| eles/elas | falam |
| eu | como |
|---|---|
| tu | comes |
| ele/ela | come |
| nós | comemos |
| vós | comeis |
| eles/elas | comem |
A forma vós é hoje arcaica na fala comum; usa-se vocês (com o verbo na 3.ª pessoa do plural) para o plural de “tu”. Como a desinência identifica a pessoa, o pronome sujeito costuma omitir-se: diz-se falo, não eu falo, salvo para contrastar ou enfatizar.
Falar do passado e do futuro sem decorar tudo
Para começar a comunicar, bastam três recursos que dispensam tabelas extensas:
- Futuro perifrástico: ir (no presente) + infinitivo — Vou comer (“vou comer”), mais frequente na oralidade do que o futuro sintético (comerei).
- Passado recente: acabar de + infinitivo — Acabei de chegar (“acabei de chegar agora mesmo”).
- Ação em curso: estar a + infinitivo — Estou a estudar (“estou a estudar neste momento”).
Negar e perguntar
A negação faz-se colocando não antes do verbo: Não falo francês. A dupla negação é normal e correta: Não vejo ninguém, Nunca disse nada. A interrogação não exige inversão nem verbo auxiliar — a mesma ordem da afirmativa, marcada só pela entoação (na fala) ou pelo ponto de interrogação (na escrita): Falas inglês?
Com estes blocos — género e artigos, concordância, pronomes, ser/estar e o presente, mais os três atalhos para passado e futuro — já é possível formar a maioria das frases de uma conversa quotidiana. O resto constrói-se a partir daqui.
Fontes
- Gramática Ativa . Lidel (2011)
- Nova Gramática do Português Contemporâneo . Edições João Sá da Costa (1984)
- Portuguese: A Reference Manual . Georgetown University Press (2011)