Aprender 学 · 06

Números, datas e horas

Como contar, concordar em género, escrever datas e dizer as horas em português europeu — dos cardeais e ordinais ao calendário e ao relógio do dia a dia.

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Contar, marcar uma data e dizer as horas estão entre as primeiras coisas que um aprendente precisa de fazer e, em português europeu, todas elas têm pequenas particularidades — de concordância, de grafia e de pronúncia — que vale a pena fixar desde cedo.

Os números cardinais

Os cardeais de zero a quinze são formas próprias que importa decorar; a partir daí, o sistema torna-se regular. Note-se a grafia europeia de alguns deles, diferente da brasileira.

0 zero4 quatro8 oito12 doze
1 um / uma5 cinco9 nove13 treze
2 dois / duas6 seis10 dez14 catorze
3 três7 sete11 onze15 quinze

Entre 16 e 19 e nas dezenas, as palavras formam-se por composição: dezasseis, dezassete, dezoito, dezanove; depois vinte, trinta, quarenta, cinquenta, sessenta, setenta, oitenta, noventa. As centenas vão de cem a novecentos, e mil mantém-se invariável.

A palavra e liga os elementos dentro de cada grupo (dezenas com unidades, centenas com o resto): vinte e um, cento e trinta e dois, mil novecentos e oitenta e quatro.

1147 → mil cento e quarenta e sete · 365 → trezentos e sessenta e cinco · 2026 → dois mil e vinte e seis

O «e» surge antes das dezenas e das unidades, mas não se repete entre milhares e centenas quando há centenas.

Género e a forma «cem»

Quatro números concordam em género com o nome que acompanham: um/uma, dois/duas e as centenas a partir de duzentos (duzentos/duzentas, trezentos/trezentas…).

duas semanas · trinta e uma páginas · duzentas e cinquenta pessoas

Concordância: «dois» e «cento» variam consoante o género do nome contado.

Usa-se cem diante de um nome ou de um número maior (cem euros, cem mil), mas cento quando seguido de mais unidades: cento e um, cento e vinte.

Os números ordinais

Os ordinais usam-se para ordenar, para reis e papas, para andares e séculos. As formas básicas são: primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo; seguem-se décimo primeiro, vigésimo, trigésimo, centésimo, milésimo. Todos concordam em género e número: a primeira vez, os primeiros dias.

Vírgula decimal e separador de milhares

Ao contrário do inglês, o português usa vírgula como separador decimal e reserva o ponto (ou um espaço) para os milhares: 3,14; 1 250,50 €. Lê-se a vírgula como vírgula: três vírgula catorze. As horas escrevem-se com h (14h30) e as percentagens com o símbolo % lido por cento.

As datas

Os dias da semana de segunda a sexta formam-se com -feira e são femininos: segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira; o fim de semana é o sábado e o domingo. Os meses — janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro — escrevem-se com minúscula, tal como os dias.

A data ordena-se dia – mês – ano, ligada pela preposição de, e o dia conta-se com um cardinal:

Lisboa, 29 de junho de 2026 · Nasceu a 25 de abril de 1974.

«a 25 de abril» ou «no dia 25 de abril»; o ano lê-se «dois mil e vinte e seis».

As horas

A pergunta é Que horas são?. Para uma hora e para o meio-dia e a meia-noite, o verbo vai no singular; para as restantes, no plural:

É uma hora. · São duas horas. · É meio-dia. · É meia-noite.

«ser» concorda com o número de horas: singular com «uma», «meio-dia» e «meia-noite».

Os minutos juntam-se com e; a partir da meia hora, indica-se quanto falta para a hora seguinte, com menos ou para as. A meia hora é e meia e o quarto de hora é um quarto:

Dizer as horas
RelógioForma corrente
3.10*são três e dez*
3.15*são três e um quarto* / *são três e quinze*
3.30*são três e meia*
3.45*são quatro menos um quarto* / *um quarto para as quatro*
3.50*são dez para as quatro*
12.00*é meio-dia*

No registo formal e nos horários públicos domina o relógio de 24 horas: o comboio das 14h30 anuncia-se catorze e trinta. Para situar a parte do dia acrescenta-se da manhã, da tarde ou da noite: às nove da manhã, às oito da noite. A preposição que introduz a hora é a, contraída com o artigo: à uma, às três.

A que horas começa? — Começa às oito e meia da noite.

«a + as» → «às» [aʃ]; «à uma» no singular.

Saber pedir e dar uma hora, marcar um encontro na quinta-feira ou anotar um preço com vírgula decimal são gestos quotidianos: dominados estes pormenores, o aprendente ganha autonomia imediata para a vida prática em português.

Fontes

  1. Celso Cunha & Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo . Edições João Sá da Costa (1984)
  2. Eduardo Raposo et al. (orgs.). Gramática do Português . Fundação Calouste Gulbenkian (2013)
  3. Amélia P. Hutchinson & Janet Lloyd. Portuguese: An Essential Grammar . Routledge (2003)