Gramática 文 · 01
Visão geral da gramática
Um mapa da gramática do português europeu — das classes de palavras ao verbo, dos pronomes à sintaxe — e um guia para percorrer os artigos desta secção.
ptA gramática descreve o modo como o português organiza as suas palavras e as combina em frases: que formas tomam, como concordam entre si e em que ordem se dispõem. Esta secção apresenta o sistema do português europeu de maneira sistemática mas legível, sem o jargão excessivo de um manual e sem o esquematismo de uma tabela de exames. Aqui ficam o mapa e os percursos; cada artigo aprofunda um território.
Uma língua flexional românica
O português herdou do latim uma morfologia rica. Os nomes e adjetivos variam em género (masculino e feminino) e número (singular e plural), e concordam entre si; os artigos e muitas preposições fundem-se em contrações características (de + o → do, em + a → na, a + as → às). Conhecer estas peças — as chamadas classes de palavras — é o primeiro passo para descrever qualquer frase.
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O género e o número marcam-se no artigo, no nome e no adjetivo em simultâneo: a concordância é visível e obrigatória.
O verbo, coração do sistema
Se há um domínio em que o português se mostra exuberante, é o verbo. A conjugação distingue três modos (indicativo, conjuntivo e imperativo), um leque amplo de tempos e seis pessoas gramaticais. Dois traços merecem destaque por serem pouco comuns nas línguas vizinhas: o modo conjuntivo, vivo e frequente, e o infinitivo pessoal — um infinitivo que se flexiona consoante o sujeito (para fazermos, por saberes). A par destes, o sistema possui formas nominais (infinitivo, gerúndio, particípio) e uma família de verbos irregulares que pede atenção própria.
É importante que saibas isto. · Trouxe os documentos para assinarmos.
O conjuntivo (saibas) e o infinitivo pessoal (assinarmos) são pilares da sintaxe portuguesa.
Pronomes, clíticos e tratamento
Os pronomes pessoais átonos — os clíticos — são um dos pontos mais distintivos da gramática europeia. A sua colocação (antes, depois ou no interior do verbo) obedece a regras precisas, e dela nasce a mesóclise (dar-te-ei), hoje rara mas viva na escrita cuidada. A isto soma-se um sistema de formas de tratamento socialmente sensível, em que tu, você e o senhor coexistem com matizes que importa dominar.
Concordância, regência e ordem das palavras
Para além das formas, a gramática trata das relações entre elas. A concordância alinha o verbo com o sujeito e o adjetivo com o nome; a regência fixa que preposição cada verbo ou nome exige (assistir a, gostar de). A ordem das palavras, mais flexível do que em inglês, segue todavia padrões claros, e interage com a colocação dos pronomes e com fenómenos como a voz passiva, a negação e a interrogação.
Como percorrer esta secção
Sugere-se começar pelas classes de palavras, que dão o vocabulário descritivo, e seguir depois para o sistema verbal, o núcleo da língua. Quem procurar pontos delicados encontrará artigos dedicados à colocação pronominal, à concordância e regência e à sintaxe. Por fim, um artigo de contraste reúne as principais diferenças gramaticais entre o português europeu e o brasileiro. As ligações em «Ver também» conduzem a cada um destes territórios.
Fontes
- Nova Gramática do Português Contemporâneo . Edições João Sá da Costa (1984)
- Gramática do Português . Fundação Calouste Gulbenkian (2013)
- A Comprehensive Grammar of the Portuguese Language . Routledge / Edinburgh University Press (2003)