Aprender 学 · 11

Conjugação na prática

Como treinar a conjugação portuguesa de forma eficaz: dominar os três paradigmas regulares, atacar primeiro os irregulares de alta frequência e usar o Conjugador como ferramenta de estudo.

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A conjugação é o esqueleto da frase portuguesa: é nela que se inscrevem a pessoa, o tempo, o modo e o aspeto. Saber o que significa um verbo serve de pouco se não se souber dizer parti, partira, partisse ou partires no momento certo. A boa notícia é que a esmagadora maioria dos verbos é regular e cabe em três moldes; a parte difícil concentra-se num punhado de verbos muito usados. Este artigo propõe um método de treino e remete para o Conjugador, que gera as formas completas de qualquer verbo.

As três conjugações

Todos os verbos portugueses se distribuem por três classes, definidas pela vogal temática do infinitivo: -ar (1.ª conjugação, de longe a mais numerosa e a única ainda produtiva), -er (2.ª) e -ir (3.ª). O verbo pôr e os seus derivados (compor, depor) são um resíduo de uma quarta classe latina e tratam-se à parte.

Conjugar um verbo regular consiste em separar o radical (a parte invariável) da terminação (que carrega pessoa, número, tempo e modo) e aplicar as terminações do molde correspondente.

fal**ar** → fal- + -o, -as, -a… · com**er** → com- + -o, -es, -e… · part**ir** → part- + -o, -es, -e…

O radical mantém-se; muda só a terminação. Note que -er e -ir partilham quase todas as terminações.

Um paradigma para interiorizar

Antes de memorizar listas, vale a pena fixar bem um verbo-modelo de cada conjugação no presente do indicativo — o tempo de maior rendimento e a base de que derivam outros. A partir daqui, quase tudo é reconhecimento de padrões.

Presente do indicativo — falar (1.ª)
eu falo
tu falas
ele/ela fala
nós falamos
vós falais
eles/elas falam
Presente do indicativo — comer (2.ª)
eu como
tu comes
ele/ela come
nós comemos
vós comeis
eles/elas comem

Repare-se que partir (3.ª) só difere de comer na 1.ª e 2.ª pessoas do plural (partimos, partis), o que reduz muito o esforço de memória.

Os irregulares primeiro — mas os certos

Tentar decorar todos os verbos irregulares de uma vez é desmoralizante e ineficaz. A estratégia rendível é inversa: os verbos mais irregulares são também os mais frequentes, por isso aprendem-se cedo e treinam-se por repetição natural. Comece por ser, estar, ter, haver, ir, fazer, dizer, ver, vir, dar, poder, querer e saber. Dominados estes treze, cobre-se uma fatia enorme do português falado.

Muitos «irregulares» sê-lo são apenas num ponto. Pedir, medir e ouvir, por exemplo, são regulares exceto na 1.ª pessoa do presente (peço, meço, ouço), que depois contamina todo o presente do conjuntivo (peça, meça, ouça). Saber onde está a irregularidade poupa metade do trabalho.

Da raiz brotam os tempos

Uma vez fixado o presente, vários tempos seguem regras de derivação que tornam o sistema previsível. O pretérito imperfeito, o futuro e o condicional dos verbos regulares formam-se com terminações fixas; o conjuntivo liga-se à 1.ª pessoa do presente. Treinar estes laços é mais útil do que decorar cada forma isolada.

*faço* → presente do conjuntivo *faça*; *tu fizeste* → imperfeito do conjuntivo *fizesse* e futuro do conjuntivo *fizeres*.

O radical do pretérito comanda os conjuntivos passado e futuro — um atalho que vale para quase todos os verbos.

Como usar o Conjugador

O Conjugador mostra qualquer verbo em todos os tempos e modos, incluindo o infinitivo pessoal, uma forma própria do português que falta às outras línguas românicas. Use-o ativamente, não apenas para consultar:

  1. Preveja antes de ver. Escreva a forma que julga correta e só depois confirme. O erro consciente fixa-se melhor do que a leitura passiva.
  2. Trabalhe por famílias. Conjugado um verbo, faça os que seguem o mesmo padrão (falartrabalhar, estudar; fazerdesfazer, satisfazer).
  3. Isole o tempo fraco. Quase toda a gente tropeça no conjuntivo e nos pretéritos irregulares; concentre aí as repetições.
  4. Diga em voz alta. A conjugação é também um hábito articulatório: ouvir-se acelera a automatização.

Erros a vigiar

Conjugar bem não se decora de uma assentada; ganha-se por exposição repetida e correção atenta. Fixe os três moldes, ataque os treze irregulares essenciais e deixe o resto consolidar-se com a prática.

Fontes

  1. Raposo, Nascimento, Mota, Segura & Mendes (eds.). Gramática do Português . Fundação Calouste Gulbenkian (2013)
  2. Celso Cunha & Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo . Edições João Sá da Costa (1984)
  3. John J. Nitti & Michael J. Ferreira. 501 Portuguese Verbs . Barron's (2005)