Aprender 学 · 10

Níveis do QECR e exames de certificação

Os seis níveis do Quadro Europeu Comum de Referência e as duas grandes certificações de português língua estrangeira — o CAPLE, em Portugal, e o Celpe-Bras, no Brasil.

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Quem aprende português acaba mais cedo ou mais tarde por encontrar duas siglas: o QECR, que descreve o que se sabe fazer na língua, e os exames de certificação, que o atestam por escrito. São coisas distintas: o primeiro é uma escala de referência; os segundos são provas oficiais que situam o candidato nessa escala e produzem um diploma com valor académico e legal.

O QECR: uma régua comum

O Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECR; em inglês CEFR) foi publicado pelo Conselho da Europa em 2001 e completado por um Volume Complementar em 2020. Não é uma gramática nem um programa: é uma grelha de descritores — as chamadas frases é capaz de — que define a competência por aquilo que o falante consegue realizar, e não pelo número de regras que conhece.

A escala tem seis níveis, agrupados em três faixas:

FaixaNívelDesignaçãoO que caracteriza
A — utilizador elementarA1Iniciaçãofrases simples sobre o imediato
A2Elementarsituações quotidianas de rotina
B — utilizador independenteB1Limiardesenrasca-se em viagem e no trabalho
B2Vantagemdiscute temas abstratos com fluência
C — utilizador proficienteC1Autonomiausa a língua com flexibilidade e eficácia
C2Mestriadomínio próximo do falante culto nativo

Os descritores são sempre formulados de forma positiva e concreta, o que os torna úteis tanto para o aluno como para o examinador.

B1 — «Sou capaz de lidar com a maior parte das situações que podem surgir durante uma viagem a uma região onde a língua é falada.»

Um descritor típico do nível Limiar: a competência é definida pela tarefa que o falante consegue cumprir.

CAPLE: a certificação de Portugal

Em Portugal, os exames oficiais de português língua estrangeira são organizados pelo CAPLE — Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa —, em articulação com o Camões, I.P. O CAPLE é membro da ALTE (Association of Language Testers in Europe), o que garante a comparabilidade internacional dos seus diplomas.

A oferta cobre os seis níveis do QECR, com um exame para cada um:

Nível QECRExame CAPLEDesignação
A1ACESSOAcesso ao Português
A2CIPLECertificado Inicial de Português Língua Estrangeira
B1DEPLEDiploma Elementar de Português Língua Estrangeira
B2DIPLEDiploma Intermédio de Português Língua Estrangeira
C1DAPLEDiploma Avançado de Português Língua Estrangeira
C2DUPLEDiploma Universitário de Português Língua Estrangeira

Cada prova avalia as competências habituais — compreensão da leitura, compreensão do oral, produção e interação escritas e orais. O CIPLE (A2) é o exame mais procurado, porque o nível A2 é o exigido para a aquisição da nacionalidade portuguesa, o que faz dele, na prática, muito mais do que um certificado de estudos.

Celpe-Bras: a certificação do Brasil

O Brasil tem a sua própria certificação oficial, o Celpe-BrasCertificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros —, criado em 1998 e aplicado pelo INEP, do Ministério da Educação, em postos credenciados no Brasil e no estrangeiro. É o único certificado de português brasileiro reconhecido oficialmente pelo governo.

A sua lógica é diferente da do CAPLE. Não há um exame por nível: há uma só prova, de orientação comunicativa e por tarefas, e é o desempenho do candidato que determina o nível certificado. Quem não atinge o patamar mínimo não recebe certificado — não existe certificação de principiante.

Resultado Celpe-BrasCorrespondência aproximada (QECR)
IntermediárioB1
Intermediário SuperiorB2
AvançadoC1
Avançado SuperiorC2

A prova tem duas partes: uma parte escrita coletiva, em que se respondem tarefas a partir de textos, áudios e vídeos, e uma parte oral individual, uma interação de cerca de vinte minutos guiada por elementos provocadores (imagens, notícias, cartazes). O Celpe-Bras é requisito para o ingresso de estrangeiros em universidades brasileiras (programa PEC-G) e para a revalidação de diplomas, por exemplo na área da saúde.

Como escolher e como preparar-se

Antes de inscrever-se, convém clarificar três coisas: para que serve o certificado (estudo, trabalho, nacionalidade), que variedade do português interessa e que nível é realista. Sobrestimar o nível é o erro mais frequente: um falante que comunica com desembaraço no dia a dia costuma situar-se em B1, não em C1.

A preparação ganha em ser orientada pelos descritores é capaz de, e não pela acumulação de regras isoladas. Treinar tarefas reais — escrever um email formal, seguir um noticiário, sustentar uma conversa sobre um tema do agrado pessoal — aproxima-se muito mais do que os dois exames efetivamente medem.

Fontes

  1. Conselho da Europa. Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas: Aprendizagem, Ensino, Avaliação . Edições ASA (2001)
  2. Council of Europe. Common European Framework of Reference for Languages: Companion Volume . Council of Europe Publishing (2020)
  3. INEP — Ministério da Educação. Celpe-Bras: Manual do Examinando . Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (2020)