Gramática 文 · 20

Conjunções e advérbios

As palavras que ligam e modificam — conjunções coordenativas e subordinativas, classes de advérbios, a formação em -mente e o papel de uns e outros como conectores do discurso.

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As conjunções e os advérbios são duas classes de palavras de natureza muito diferente, mas que partilham uma função decisiva: dar coesão à frase e ao texto. A conjunção liga — orações ou termos com a mesma função —; o advérbio modifica — um verbo, um adjetivo, outro advérbio ou a frase inteira. Tratamo-las em conjunto porque, na prática, são elas que articulam o raciocínio: o e, o mas, o embora, o , o talvez.

Conjunções coordenativas

Coordenam termos ou orações do mesmo nível sintático, sem que um dependa do outro. Distinguem-se cinco valores:

ValorConjunções típicasExemplo
Copulativoe, nem, não só… mas tambémChove e faz frio.
Adversativomas, porém, contudo, todavia, no entantoEstudou, mas não passou.
Disjuntivoou, ou… ou, ora… oraVens ou ficas?
Conclusivologo, portanto, por conseguintePenso, logo existo.
Explicativopois, porque, queNão saias, que está tarde.

Conjunções subordinativas

Introduzem uma oração dependente de outra, marcando a relação lógica entre as duas. As integrantes (que, se) limitam-se a encaixar uma oração na posição de um complemento; as restantes exprimem circunstâncias:

  • causaisporque, visto que, já que, como;
  • condicionaisse, caso, a não ser que, salvo se;
  • concessivasembora, ainda que, mesmo que, conquanto;
  • finaispara que, a fim de que;
  • temporaisquando, enquanto, logo que, assim que, mal;
  • comparativascomo, (tal) qual, (do) que;
  • consecutivasque (em correlação com tão, tanto, tal).

Muitas destas conjunções regem o conjuntivo, sobretudo as concessivas, finais e condicionais de valor hipotético — um ponto em que o português é particularmente exigente.

Embora chova, vamos sair. · Trouxe o casaco para que não apanhasses frio.

As conjunções concessiva (embora) e final (para que) impõem o modo conjuntivo: chova, apanhasses.

As classes do advérbio

O advérbio é, por norma, invariável. Os manuais agrupam-no por valor semântico:

  • modobem, mal, depressa, devagar, assim e quase todos os terminados em -mente;
  • tempohoje, ontem, , ainda, sempre, nunca, cedo, tarde;
  • lugaraqui, , ali, , , acolá, perto, longe;
  • quantidade e intensidademuito, pouco, bastante, demasiado, tão, quase;
  • afirmaçãosim, certamente, decerto;
  • negaçãonão, nunca, jamais, nem;
  • dúvidatalvez, porventura, acaso.

Vários advérbios admitem grau: cedo → cedíssimo, perto → mais perto. Os de lugar conservam, no português europeu, um sistema dêitico de três graus paralelo ao dos demonstrativos: aqui/ (junto de mim), (junto de ti), ali/acolá (longe de ambos).

A formação em -mente

O processo mais produtivo para criar advérbios de modo é juntar o sufixo -mente à forma feminina do adjetivo: claraclaramente, felizfelizmente. O sufixo provém do substantivo latino mente (“com [esta] disposição de espírito”), e por isso, quando dois ou mais destes advérbios se coordenam, o -mente aparece só no último: falou clara e objetivamente.

Resolveu o assunto rápida e eficazmente.

[ʁ ˈapidɐ i ifiˈkazmẽt]

Em série, o sufixo -mente apaga-se em todos os advérbios menos no derradeiro.

Note-se que o -mente não altera o acento do adjetivo de base: a palavra resultante tem, na prática, dois apoios prosódicos, com o principal sobre o sufixo [ˈmẽt(ɨ)] .

Conjunções, advérbios e conectores do discurso

A fronteira entre as duas classes é por vezes ténue. Palavras como portanto, contudo, além disso ou no entanto comportam-se como advérbios conectivos (ou conectores frásicos): ligam frases inteiras, como uma conjunção, mas têm a mobilidade de um advérbio e isolam-se por vírgulas. São o cimento dos textos argumentativos, em que sinalizam adição, contraste, causa, consequência ou conclusão.

A posição na frase

A conjunção ocupa um lugar fixo: abre a oração que introduz. O advérbio é muito mais móvel, e a sua posição pode mudar o sentido. Só ele falou (mais ninguém) não equivale a Ele só falou (não fez outra coisa). Os advérbios de frase — felizmente, provavelmente, talvez — tendem para o início; de notar que talvez anteposto ao verbo pede o conjuntivo: talvez venha, não talvez vem.

Fontes

  1. Celso Cunha & Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo . Edições João Sá da Costa (1984)
  2. Maria Helena Mira Mateus et al.. Gramática da Língua Portuguesa . Caminho (2003)
  3. Eduardo Paiva Raposo et al. (orgs.). Gramática do Português . Fundação Calouste Gulbenkian (2013)