Ortografia 字 · 02

O alfabeto português

As vinte e seis letras do português moderno — incluindo o k, o w e o y, formalmente reintegrados pelo Acordo Ortográfico de 1990 —, os seus nomes e os seus usos.

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O alfabeto português é, como o de quase todas as línguas da Europa ocidental, uma adaptação do alfabeto latino. Na sua forma atual conta vinte e seis letras, número fixado para todo o espaço lusófono pela Base I do Acordo Ortográfico de 1990. Cada letra existe numa forma maiúscula e numa forma minúscula, e a sequência convencional — de a a z — governa a ordenação dos dicionários, dos índices e dos vocabulários.

As vinte e seis letras

A ordem oficial é a seguinte:

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

Cinco destas letras — a, e, i, o, u — representam, por norma, vogais; as restantes representam consoantes. O h é um caso à parte: não corresponde hoje a qualquer som próprio, conservando-se apenas por razões etimológicas (hoje, homem) ou como elemento de dígrafos (ch, lh, nh).

Os nomes das letras

Cada letra tem um nome tradicional, que se usa ao soletrar. Importa não confundir o nome da letra com o seu valor (o som que representa numa palavra), pois um mesmo grafema pode ter valores diferentes consoante a posição.

LetraNomeLetraNome
A aáN nene
B bO oó
C cP p
D dQ qquê
E eéR rerre
F fefeS sesse
G ggê / guêT t
H hagáU uu
I iiV v
J jjotaW wdáblio / duplo vê
K kcapa / cáX xxis
L leleY yípsilon / i grego
M memeZ z

K, W e Y: as letras reintegradas

As três letras k, w e y têm um estatuto particular. Faziam parte do alfabeto latino e foram usadas no português antigo, mas as reformas ortográficas do início do século XX expulsaram-nas da escrita corrente: o alfabeto oficial passou a contar apenas vinte e três letras, e k, w, y ficaram reservadas a contextos muito restritos. O Acordo Ortográfico de 1990 repôs as vinte e seis letras, mas não alterou os usos: continuam a empregar-se apenas em situações especiais, e não para grafar palavras patrimoniais do português.

Empregam-se, designadamente:

  • em nomes próprios estrangeiros e nos seus derivados — Kant > kantiano, Darwin > darwinismo, Byron > byroniano, Taylor > taylorista;
  • em símbolos, siglas e unidades de uso internacional — km (quilómetro), kg (quilograma), W (watt), kW, yd (jarda);
  • em estrangeirismos ainda não aportuguesados — show, whisky, hobby.

Darwin → darwiniano · Newton → newtoniano · Kafka → kafkiano

O y, o w e o k mantêm-se nos derivados de nomes próprios estrangeiros, mesmo quando estes geram adjetivos plenamente portugueses.

Note-se que muitas palavras outrora escritas com estas letras foram, ao longo do tempo, aportuguesadas: kilo deu quilo, Kongo deu Congo, Yperite deu iperite. Onde o português adota de facto a palavra, tende a adaptá-la à sua própria ortografia.

Letras e dígrafos não se confundem

O português escreve vários sons com dígrafos — pares de letras que valem por uma única unidade fónica. Nenhum deles é uma letra do alfabeto e, por isso, nenhum tem entrada própria na ordenação alfabética. Os principais são ch [ʃ] , lh [ʎ] , nh [ɲ] , rr, ss, gu e qu; a estes juntam-se os dígrafos vocálicos da nasalidade, como am, an, em, en.

carro · passo · chave · folha · vinho · guerra · quente

Cada palavra contém um dígrafo (rr, ss, ch, lh, nh, gu, qu) que representa um só som, mas que se conta como duas letras na escrita.

A cedilha (ç) também não é uma letra autónoma, mas o c com um diacrítico; surge apenas antes de a, o e u (caçar, moço, açúcar), nunca em início de palavra.

Ordem alfabética e diacríticos

Na ordenação alfabética, as letras acentuadas não constituem posições próprias: á, à, â, ã contam como a, tal como ç conta como c. Os sinais diacríticos — o acento agudo, o circunflexo, o grave, o til e a cedilha — modificam o som ou a tonicidade, mas não acrescentam letras ao alfabeto. Assim, num dicionário, acelga precede açúcar, que precede adega: a ordenação faz-se letra a letra, ignorando os acentos para efeitos de sequência.

Fontes

  1. Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (Base I) . Diário da República (1991)
  2. Celso Cunha & Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo . Edições João Sá da Costa (1984)
  3. Academia das Ciências de Lisboa. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa . Imprensa Nacional-Casa da Moeda (2012)