Gramática 文 · 06

Adjetivos

Como o adjetivo concorda em género e número, onde se coloca em relação ao nome e como exprime graus de comparação no português europeu.

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O adjetivo é a classe de palavras que atribui uma qualidade, um estado ou uma propriedade ao nome: uma casa branca, um problema difícil, gente simpática. Em português, o adjetivo distingue-se sobretudo por concordar com o nome a que se refere e por admitir graus — recursos que lhe dão grande flexibilidade, mas que obrigam a um cuidado constante com a forma.

Concordância em género e número

A regra de base é simples: o adjetivo flexiona-se em género (masculino / feminino) e em número (singular / plural) para concordar com o nome.

o livro novo · a casa nova · os livros novos · as casas novas

O mesmo adjetivo (novo) ajusta-se às quatro combinações de género e número.

Nem todos os adjetivos têm formas distintas para os dois géneros. Quanto à flexão de género, distinguem-se dois grandes tipos:

  • Adjetivos de dois géneros (biformes): têm uma forma masculina e outra feminina — bonito / bonita, português / portuguesa, trabalhador / trabalhadora.
  • Adjetivos de um só género (uniformes): a mesma forma serve os dois — um homem feliz / uma mulher feliz, um gesto simples / uma ideia simples, um aluno inteligente / uma aluna inteligente.

O plural forma-se pelas mesmas regras dos nomes: acréscimo de -s (verde → verdes), de -es nos terminados em -r, -z ou -s tónico (maior → maiores, feliz → felizes), e alterações nos terminados em -l e -ão (azul → azuis, são → sãos).

Concordância com vários nomes

Quando um só adjetivo qualifica dois ou mais nomes, a concordância segue princípios bem definidos. Se os nomes são do mesmo género, o adjetivo vai ao plural desse género; se são de géneros diferentes, prevalece o masculino plural.

Comprei uma camisa e um casaco baratos.

Nomes de géneros diferentes: o adjetivo (baratos) fica no masculino plural.

Quando o adjetivo precede vários nomes, é frequente concordar apenas com o mais próximo: a sua reconhecida competência e dedicação.

A posição do adjetivo

Ao contrário do inglês, em que o adjetivo antecede quase sempre o nome, o português coloca o adjetivo qualificativo tipicamente depois do nome: um carro vermelho, uma decisão importante. A anteposição é possível e muito usada, mas não é neutra: tende a marcar um valor subjetivo, afetivo ou estilístico, próprio sobretudo da língua literária.

Em alguns adjetivos, a posição altera mesmo o sentido. Comparem-se:

Adjetivos cujo sentido depende da posição
Antes do nomeDepois do nome
*um **grande** homem* (notável)*um homem **grande*** (de grande estatura)
*um **velho** amigo* (de longa data)*um amigo **velho*** (de idade avançada)
*um **pobre** homem* (digno de pena)*um homem **pobre*** (sem dinheiro)
*uma **simples** pergunta* (mera)*uma pergunta **simples*** (fácil)

Adjetivos que exprimem propriedades objetivas e classificatórias — cor, forma, nacionalidade, relação — quase só ocorrem depois do nome: vinho tinto, mesa redonda, escritor português, energia solar.

Os graus do adjetivo

O adjetivo varia ainda em grau, exprimindo a intensidade da qualidade. A gramática portuguesa reconhece o grau comparativo e o grau superlativo.

Comparativo

O comparativo confronta dois termos e apresenta três valores:

  • de superioridade: mais … (do) queEla é mais alta do que o irmão.
  • de igualdade: tão … como/quantoEla é tão alta como o irmão.
  • de inferioridade: menos … (do) queEla é menos alta do que o irmão.

Quatro adjetivos muito frequentes têm comparativos sintéticos herdados do latim, que substituem as formas com mais:

Comparativos sintéticos
AdjetivoComparativo
*bom**melhor* (não «mais bom»)
*mau**pior* (não «mais mau»)
*grande**maior*
*pequeno**menor* (ou *mais pequeno*)

Superlativo

O superlativo exprime a qualidade no seu grau máximo, e divide-se em dois tipos.

O superlativo relativo situa o ser no topo (ou na base) de um conjunto, com artigo definido + mais/menos: o aluno mais dedicado da turma, a opção menos dispendiosa.

O superlativo absoluto exprime intensidade elevada sem comparação. Pode ser analítico, com um advérbio (muito caro, extremamente raro), ou sintético, com o sufixo -íssimo — a forma erudita por excelência.

caro → caríssimo · fácil → facílimo · feliz → felicíssimo · amável → amabilíssimo

O superlativo sintético em -íssimo recupera frequentemente a raiz latina (fácil → facílimo, não «facilíssimo»).

Alguns superlativos absolutos sintéticos são também herdados diretamente do latim e convivem com as formas regulares: bom → ótimo, mau → péssimo, grande → máximo, pequeno → mínimo.

Adjetivo e nome: uma fronteira porosa

Muitos adjetivos funcionam também como nomes (os ricos e os pobres, um velho), e muitos nomes qualificam outros como se fossem adjetivos (cor-de-rosa, uma reunião relâmpago). Esta mobilidade entre classes é uma das marcas da gramática portuguesa, e explica por que a concordância — saber quando, e com quê, a palavra se flexiona — é a competência decisiva no uso do adjetivo.

Fontes

  1. Celso Cunha & Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo . Edições João Sá da Costa (1984)
  2. Maria Helena Mira Mateus et al.. Gramática da Língua Portuguesa . Caminho (2003)
  3. Eduardo Buzaglo Paiva Raposo et al. (eds.). Gramática do Português . Fundação Calouste Gulbenkian (2013)